OLIQ

A missão de OLIQ


Produzir um azeite de qualidade não muda muita coisa. Mas o modo de fazer muda: preservando a Serra da Mantiqueira, valorizando a sua rica e diversa cultura, favorecendo o desenvolvimento local. Isto é OLIQ

Pomar no fim de colheita; Fazenda Santo Antônio do Bugre; 2015
Pomar no fim de colheita; Fazenda Santo Antônio do Bugre; 2015. Foto: Antônio G. Batista.

 

Mantiqueira

Para quem chega à Mantiqueira por Minas, pelo planalto, a Serra não parece impressionar muito. É semelhante a um conjunto de colinas verdes que, à medida que se afasta de Belo Horizonte, vai se enchendo se cafezais.

Muito diferente de quando se chega por São Paulo ou pelo Rio. A supresa: uma enorme muralha de pedra, mata e nuvens cercando o Vale do Paraíba: um muro. Instransponível para os primeiros bandeirantes, dramática, não amansada, nem arredondada, nem feminina, como parece ser para quem chega do lado mineiro. Nesse lugar que, até meados dos século XIX,  já foi um dos “sertões” – o das Mantiqueiras” – território perigoso para travessias por causa dos índios e dos salteadores; dos bandoleiros e dos ciganos; dos que queriam fugir do mundo, acabou por formar, nos altos da Serra, uma sociedade de “pequenos” – terra em que boi custa a engordar, em que vaca tem ser mais rústica, em que a morrada espanta o latifundiário. “Pequenos” dedicados à agricultura e à pecuária pequena; à pequena pesca; à subsistência, num universo caboclo e que aos poucos foi sendo conhecido como “caipira”. Um mundo, que, para os brasileiros, desde meados do início do século XX, ganhou significados ambivalentes: nostalgia de um passado puro e original e, ao mesmo tempo, um de nossos maiores signos de atraso, ausência de civilização e pobreza.

Uma cultura com 90 anos de história

Nos anos 1930, essa antiga terra de fugidos e “pequenos” também alimentou os sonhos de uma terra prometida: a de imigrantes portugueses. Imigrantes se mudam com quase nada – só o essencial; só o imprescindível; só aquilo com que não se pode viver; só também o que fará muita falta à alma – trouxeram poucas roupas, alguma louça, instrumentos de trabalho e, dentre diferentes sementes e mudas, as de oliveiras. Na Serra as plantaram, em quintais, em pomares, já que ali talvez vingassem. Talvez – quem sabe – aquela terra tão estranha se tornasse menos estranha, menos inóspita, um pouco mais próxima, mais a própria casa já deixada e talvez reencontrada.

Desses primeiros plantios, muita coisa ficou na memória dos mais velhos: a compra de azeitonas na feirinha de Paraisópolis (MG); as notícias – até nos grandes jornais de São Paulo – da primeira extração de azeite, bem na véspera do Golpe Militar, em Campos do Jordão (SP); os ramos de oliveira na brasão de fanfarra de São Bento do Sapucaí (SP), então a “Capital das Oliveiras”; árvores esquecidas numa e noutra cidade da Serra; as muitas que restaram em Maria da Fé (SP), e os vários atuais caçadores de pomares perdidos no meio da mata, em antigas fazendas.

Com exceção da mineira Maria da Fé, pouco restou das tentativas dos imigrantes de tornar a Mantiqueira um pouco de Portugal: pela descrença de muitos de que aqui se poderia produzir oliveiras e azeite de qualidade, acostumados que fomos à secular proibição de competir com esses produtos da Metrópole; pela tecnologia incipiente, pela nossa própria ausência de contato com essa cultura que – embora pouco exigente – nos era estranha, pouco familiar.

Mas alguns acreditaram: diferentes agrônomos da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, foram pioneiros na região de São Bento do Sapucaí e de Campos do Jordão (SP). De mesmo modo, produtores investiram recursos e esforços até meados dos anos 1970 para fazer valer essa crença. Infelizmente nem todos os apoiaram. Algo de semelhante ocorreria em Minas, se a Fazenda Experimental de Maria da Fé, da Epamig, órgão de pesquisa agrícola e agropecuária, não tivesse, nos anos 2000, investido grandes esforços para realizar o sonho desses pioneiros.

O que busca OLIQ?

OLIQ quer acrescentar mais um elo a essa corrente histórica: quer retomar essa antiga tradição em grande parte abandonada. Quer produzir um azeite de qualidade, possível na latitude da Mantiqueira a partir dos 1.000 metros de altitude.

Há muito por aprender ainda para isso. Mas OLIQ só vê sentido nessa aventura se o modo de produção for tão importante quanto a qualidade do produto, se integrando ao Sertão da Mantiqueira: contribuindo para sua preservação, promovendo o desenvolvimento local e auxiliando para fortalecer a rica e diversificada cultura que se formou entre o isolamento da Serra e sua formas de tornar próprio aquilo que de vem fora – antes da tropa e da romaria a Aparecida – e hoje dos turistas, da TV, da internet e de uma maior circulação das pessoas ou de seus familiares.

Afinal, é esta a missão de OLIQ:

Produzir um azeite de excelente qualidade, o que é bom, mas não suficiente: pois a excelência está também no modo de fazer: no respeito à Serra, no fortalecimento de sua cultura e de seu povo, na contribuição para o desenvolvimento local.

2 Comments Say something

  1. boa noite sou morador de são paulo e me recomendarão vosso azeite queria que me forneça o endereço de venda em são paulo moro no bairro da penha

    1. Oi, José Martins, obrigado por seu interesse. Temos diferentes pontos de venda em SP e estava, neste momento mesmo, os atualizando. Entre em nosso site (www.oliq.com.br) e vá à aba Comprar (www.oliq.com.br/comprar), no menu superior. Vá depois à aba São Paulo. Lá você poderá encontrar o endereço que melhor lhe convier. Outro caminho mais fácil é, no Blog, ir direto à aba Comprar, depois, à sub-aba São Paulo. Abraço, Antônio

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *